UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIROProfessor: Otto
Autor: Dan
Abensur Gandelman
TV DIGITAL
Introdução
Compressão de Vídeo
Sistemas Existentes
- Modelo Americano
- Modelo Europeu
- Modelo Japonês
Testes ABERT/SET: Comparação entre Modelos
Implementação do ISDB no Japão
Sistema Brasileiro de TV Digital: SBTVD
Conclusão
5 Perguntas
Bibliografia
Introdução
TV
Digital é a codificação digital de um sinal de TV Analógico. Porém há várias
escolhas ou opções a se fazer. Este trabalho visa mostrar, sem muita
profundidade, o estado da arte atual da TV Digital.
Já
é comum a utilização do DVD – Digital Vídeo Disk – como “padrão
digital doméstico” de armazenamento de vídeos. Ele utiliza a tecnologia de
compressão de vídeo MPG2, que será vista adiante. Ao
assistir um vídeo em DVD podemos notar
uma superioridade na qualidade de imagem em relação a
TV analógica. Isso se deve a uma maior quantidade de linhas horizontais (melhor
definição).
Ao
definir um padrão de TV Digital devemos levar em conta muitos fatores como:
-
Definição (geralmente limitado pela banda)
-
Modulação
-
Correção de Erros
Iniciaremos
o trabalho falando um pouco de compressão que é necessário para entender os 3
principais sistemas implementados no mundo, em seguida vamos fazer uma
comparação entre os três e comentar sobre o que está acontecendo em relação ao
Brasil antes de concluir.
Compressão de Vídeo
Para
um uso eficiente da banda disponível para cada canal é necessário utilizar
compressão de vídeo. Vários fatores são importantes para a definição de um
método de compressão de vídeo de um sistema de TV Digital, entre eles estão
eficiência, custo de hardware codificador e decodificador.
O
MPEG2 (Moving Pictures Experts Group, versão 2) é o método de compressão mais
utilizado pelos mais diversos sistemas de TV Digital. A idéia por traz dele é o
envio de quadros chaves de tempos em tempos e nos quadros intermediários enviar
somente a diferença, ou seja o que foi alterado do quadro. Desse modo, se temos
um apresentador se movimentando mas o fundo do cenário continua o mesmo,
enviamos apenas as informações do movimento do apresentador. Chamamos isso de
Predição de Quadro.
Para
sermos mais específicos sobre a Predição de Quadro, vamos levar em conta a
figura abaixo. Os quadros I são os Intra-quadros. São quadros completos, como uma foto,
contendo toda a informação necessária colocar na tela uma imagem. Sobre esta
imagem, poderão os próximos quadros se referenciar, informando apenas a
diferença em relação a esta. Os quadros B
são bidirecionais, podem se referenciar a uma imagem passada ou a um quadro I futuro. Sim, o quadro futuro já
precisa estar armazenado no buffer, o que significa um atraso na reprodução de
imagens ao vivo, por exemplo.

Retirado de http://www.teleco.com.br
Temos
também os quadros P, preditivos, onde exibe apenas a diferença do quadro
anterior. No MPEG2 os quadros B podem se referenciar a 10 quadros a
frente ou 10 quadros a trás. Qual será o quadro referenciado? O codificador
analisa o máximo de quadros possível e o que a diferença for menor será o
escolhido. Na codificação é feito o cálculo em paralelo do custo de se
referenciar a todos os 20 quadros possíveis.
O
ideal, para a compressão, seria enviar sempre a diferença entre os quadros. Mas
se assim fosse um decodificador não teria informações iniciais. Então de 0,5 em
0,5 segundos, aproximadamente é enviado um quadro I. Isso resulta no fato que se você
quiser sintonizar um canal de TV digital você poderá ter que esperar até meio
segundo para que comece a visualizar uma imagem.
O
MPEG4 além de ter todas as funcionalidades do MPEG2 tem a chamada predição de movimento. Imagine um fundo
azul e uma bola se movendo. A predição de movimento detecta que o conjunto de pixels que forma
a bola está se movendo e então apenas indica da onde o conjunto saio, para onde
ele vai, e se houve alguma variação neste conjunto de pixels em movimento. Como você já
deve ter imaginado o processamento neste caso é muito maior do que o necessário
ao MPEG2. A taxa de compressão alcançada em
compensação é melhor.
Maior
processamento exige hardware mais caro. Esse foi o grande fator que levou ao
padrão japonês a não utilizar o MPEG4 e sim o MPEG2. O MPEG2 já é utilizado a algum tempo, o que torna muito mais barato um
decodificador para ele. Porém o modelo de TV Digital móvel do ISDB (modelo
japonês) utiliza uma sub-versão do MPEG4.
Como a resolução da TV Digital móvel é menor e os aparelhos receptores como
celular disporem de cada vez mais processamento o preço final não fica
proibitivo. Essa sub-versão é o AVC/H.264.
A
taxa de informações que sae de uma câmera HDTV (High Definition TV) de é algo em torno de 1 GB/s. Após todo o processo de compressão esta taxa se
transformará em 20Mb/s. Isso é uma compressão muito grande. Um dos pilares da
compressão de vídeo é a quantização. A imagem é dividida em blocos de 8x8.
Sobre cada um destes blocos será feita a quantização. Se lembrarmos que cada
quadro pode ser referenciado a 10 quadros a frente ou
10 quadros a traz não é difícil imaginar que a taxa de compressão vai variar de
acordo com a imagem que estamos tentando comprimir.
Imagine
um vídeo com uma imagem estática, com muito pouco movimento. A variação entre
os quadros é muito pequena, logo pouca informação de variação entre os quadros I precisará ser enviada. Oposto a isso
é uma imagem com muito movimento e muita mudança. A compressão será menos
eficiente do que numa imagem estática.
Apresenta-se
um problema: Temos uma banda fixa, visto que a banda alocada a cada canal de TV
Digital é fixa (variando de 6MHz a 8MHz), e uma taxa que sai da compressão
variável. A solução é simples, colocar um buffer antes de enviar as informações
para a distribuição. Desta forma a taxa de saída seria constante. Para
aprimorar este sistema temos uma quantização variável. Se o buffer está cheio
uma realimentação (veja figura a baixo) faz com que a quantização seja mais
grosseira e quando o buffer está vazio a quantização melhora. Este processo
otimiza a qualidade e faz com que a taxa de saída seja constante. É
interessante notar que a qualidade da imagem varia temporalmente.

Modelos Existentes
Existem,
basicamente, três modelos de TV Digital. O padrão Americano (ATSC), o padrão
Europeu (DVB) e o padrão Japonês (ISDB). Estes são os três modelos atuando
hoje. Vamos aqui apresentar a principal característica de cada um e depois
vamos fazer uma comparação entre eles utilizando os resultados dos testes ABERT/SET.
Uma
diferença grande entre eles se refere a modulação. O
sistema americano utiliza sistema de portadora única com a modulação 8VSB. Já
os padrões Japonês e Europeu utilizam a bem sucedida modulação OFDM, com
múltiplas portadoras. Tal modulação é mais nova que a utilizada pelos
americanos e reconhecidamente bem sucedida. Nos Estados Unidos da América se
discute a possibilidade de migrar o sistema para OFDM, porém isso acarretaria
na troca de todos os decodificadores.
Esta
diferença entre a modulação dos padrões será muito importante no desempenho dos
sistemas como mostrará os testes ABERT/SET.
Portadora Única
Padrão Americano (ATSC): Modulação 8 VSB
Múltiplas Portadoras
Padrão Europeu (DVB-T): Modulação COFDM
Padrão Japonês (ISDB-T): BST-OFDM
Abaixo
temos as principais finalidades de cada padrão:
àATSC (Norte Americano)
-
Desenvolvido entre 1990 e 1995
- Principal
finalidade: Transmissão em HDTV (TV de Alta Definição)
à DVB
(Europa)
-
Desenvolvido entre 1993 e 1997
- Principais
finalidades: Facilidade de recepção e mobilidade
à ISDB
(Japão)
-
Desenvolvido entre 1994 e 1999
- Principais
finalidades: Recepção interna e externa (indoor
e outdoor),
integração com sistemas multimídia e mobilidade. HDTV
à Modelo Americano - ATSC
O
modelo americano foi o primeiro dos três a ser desenvolvido, tendo início no
ano de 1990 e término em 1995. Sua principal finalidade era a transmissão de TV
em alta definição. Na época de seu desenvolvimento a modulação digital não
havia atingido o estágio de evolução que podemos hoje presenciar, por esse
fator hoje a transmissão e recepção ficam bastante prejudicadas em relação aos
outros padrões.
ATSC significa American
Television System Committee.
Como
dito o seu grande mérito é ter sido o primeiro padrão desenvolvido e
implementado com alta definição de imagem. Nos Estados Unidos da América temos
uma peculiaridade que é o fato de mais de 60% dos lares disporem de TV por
assinatura a cabo. Isso acaba amortecendo o fato de que a transmissão terrestre
ser ruim, por ter uma grande rejeição a ruído e a múltiplos caminhos.
Abaixo
temos um diagrama com os principais aspectos do ATSC. Após a codificação MPEG2, temos um Embaralhamento
Espectral. Este embaralhamento serve para distribuir
a energia. Por exemplo 1000000, a grande seqüência de zeros deixa de existir
depois de combinar com um polinômio pseudo-aleatório. Seqüências
seguidas de 0 ou 1 atrapalha a recepção de um
sinal digital.
Em
seguida colocamos o código corretor de Erro Reed Solomon. É óbvio que num sistema de TV Digital não existe
retransmissão de dados. Logo é preciso ter um código corretor de erros. Em
seguida temos o Entrelaçamento Temporal. Imagine que haja um erro num
determinado instante de tempo. As informações perdidas com
este erro levaria a perda momentânea da imagem. Com o Entrelaçamento
Temporal a transmissão num determinado tempo contém dados de vários quadros de
vários instantes. Assim problemas momentâneos de recepção não acarretam a perda
de imagem. Em seguida temos a modulação propriamente dita, com a Inserção de
Sincronismo, seguida de Piloto e a modulação na freqüência, não entrarei em
detalhes por ser básico da Teoria de Processamento de Sinais bastante vista no
curso de Eletrônica da UFRJ.

à Modelo Europeu - DVB
Já
o modelo europeu tem como principais finalidades a fácil recepção e a
mobilidade. Isso ocorre como conseqüência ao fraco desempenho nesta área do
padrão americano. Existe a possibilidade de transmissão em alta definição, mas
essa não é a ênfase do padrão. Ele utiliza a modulação OFDM de múltiplas portadoras
reconhecidamente superior a modulações de única portadora. Na modulação podemos
observar o quadro de Intervalo de Guarda, que é um tempo sem transmissão o que
possibilita uma constante equalização do canal pelo decodificador. Isso
acarreta numa melhor recepção em meio a ruído e múltiplos
caminhos. O Embaralhamento Espectral e o
Código Reed Solomon tem a
mesma explicação já dada no sistema ATSC.

O
modelo Europeu é muito bem sucedido ele foi adotado nos países europeus, na
Austrália e em outros lugares. Na Alemanha em 2006 será desligada a transmissão
analógica e somente teremos o DVB. Uma coisa interessante na Alemanha é que
eles não adotaram um padrão de alta definição, eles têm um sistema de TV
Digital com a definição semelhante ao nosso atual sistema Analógico.
Outro
fato interessante quanto ao DVB é que no Brasil a empresa NET a utiliza para o
sistema de TV Digital a cabo. A Empresa de TV por Assinatura TVA também a
escolheu para o seu futuro sistema digital com transmissão terrestre.
O
sistema tem vários parâmetros a serem ajustados de acordo com a necessidade de
cada local ou país. Pode-se variar o número de portadoras, a taxa de FEC e o
tempo de Intervalo de guarda. Cada uma destas configurações
tem uma carga de dados tirado o FEC (Payload) diferente. Abaixo tem
uma tabela comparativa entre o padrão europeu (2K portadoras e 8K portadoras) e
o padrão americano.
|
|
ATSC |
DVB-T 2k |
DVB-T 8k |
|
Número de Portadoras |
1 |
1705 |
6817 |
|
Taxa do Símbolo (Symb/s) |
10.760.000 |
3356 |
838 |
|
Tempo do Símbolo |
9,3ns |
298us |
1.194us |
|
Intervalo de Guarda |
- |
9 a 74us |
37 a 298us |
|
Bits por Símbolo |
3 |
até 9072us |
até 36.288us |
|
FEC |
2/3 |
1/2, 2/3, 3/4, 5/6 e 7/8 |
|
|
Carga Útil |
19,39 Mb |
3,73Mb a 23,75 Mb |
|
Padrão Japonês (ISDB)
O modelo Japonês só foi implementado no próprio Japão com muito
sucesso. O governo Japonês através de seu órgão de pesquisa e Canal de TV NHK
coordenou o desenvolvimento e a implementação da TV Digital investindo financeiramente
na maior parte da verba.
É um modelo voltado para Recepção Indoor (interna) e com alta definição. Como o DVB tem um
sistema de modulação OFDM de múltiplas portadoras.
A grande diferença entre o ISDB para o Europeu e o
sistema Americano é o Time Interleving. Assim como o
tempo de guarda ele suspende durante um curto intervalo de tempo a transmissão para que o receptor possa fazer a equalização
do canal. Esse tempo é ajustável. Ele é o grande responsável pelo melhor
desempenho na transmissão e recepção terrestre que veremos nos testes da ABERT/SET.
Pelo grande sucesso tecnológico e comercial
acompanharemos mais adiante os principais passos que o Japão implementou para a
conversão do modelo de TV Analógica para a TV Digital.
O padrão japonês pode ocupar uma banda de 6MHz,
7MHz ou 8MHz. No Brasil utilizamos canais com bandas de 6MHz, isso pode na
prática diminuir a qualidade da TV Digital.
Abaixo temos basicamente o mesmo diagrama do DVB,
apenas acrescentando o Time Interleaving, que é a
grande na modulação.

Testes ABERT/SET
Os
testes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão em conjunto
com a Sociedade de Engenharia de Televisão iniciados em 1999 e em constante
trabalho até os dias atuais apresentam dados muito interessantes para a
comparação entre os sistemas apresentados de TV Digital. Estes testes foram
feitos sob a orientação e co-autoria da ANATEL (Agência Nacional de
Telecomunicações).
É
de grande valor para o trabalho estes testes pois proporcionam uma comparação
entre os padrões, mostrando aonde cada um tem seu pior desempenho, algo que não
encontraríamos facilmente pesquisando na Internet e nos artigos desenvolvidos
pelas equipes que fizeram os padrões.
Abaixo
temos os sistemas e configurações testadas:
ATSC
Modulação: 8VSB
FEC 2/3
Intervalo de guarda: 1/16
DVB
– 2k
Modulação: 64QAM - COFDM
2k portadoras
FEC 3/4
Intervalo de guarda: 1/16
DVB
– 8k
Modulação: 64QAM - COFDM
8k portadoras
FEC 2/3
Intervalo de guarda: 1/32
ISDB
– 4k
Modulação: 64QAM – COFDM-BST
4k portadoras
FEC 3/4
Intervalo de guarda: 1/16
0,1s de Time Interleaver
Nota:
Todos os gráficos que serão mostrados a
seguir foram retirados dos relatórios públicos da Anatel
- “Relatórios ABERT/SET” - disponíveis no site: http://www.anatel.gov.br/
O
primeiro teste aqui apresentado é um teste de laboratório. Este teste mede para
diferentes relações Sinal/Ruído (em dB) o percentual
de erros encontrados. A análise do gráfico abaixo indica que o ATSC a partir de
15dB já apresenta erro, ou seja ele tem uma rejeição maior a ruído do que os
outros sistemas testados. Ou seja o ATSC mostrou-se pior quando introduzimos
ruídos na transmissão.
![]()

Os
testes de campo foram realizados na cidade de São Paulo, a antena transmissora
foi colocada na Torre da Emissora TV Cultura. A partir deste centro foram
tomadas medidas de acordo com a figura abaixo. Note que em uma área não houve
medidas, isso se deve pelo fato de que para aquela área não ter sido
transmitidos os sinais. O canal utilizado para teste foi o UHF 35 (593 Mhz) e
na área sem pontos haveria interferência com uma outra transmissão que chegava
na área de uma outra emissora. Nos pontos excluídos (em vermelho) não foram
tomadas medidas pois era de difícil acesso (matas, rios, etc). O transmissor
utilizado tinha potência de 2,5 KW (RMS).

Com
estes pontos indicados foi realizado um teste de Comparação de Desempenho de
Cobertura. Notamos que foram medidos pontos de até 40 Km de distância em
relação a antena.
O gráfico a seguir mostra o percentual de pontos com recepção em relação
a distância.

A
comparação do gráfico acima mostra uma superioridade do sistema ISDB em relação
aos demais. Ele apresentou melhor desempenho já que atendeu um maior número de sites (pontos). Poucos pontos foram atendidos a 40 Km da
antena. Estes pontos estariam sem transmissão. Porem existe
uma técnica chamada Gap-Filler que basicamente é uma
antena irradiando (retransmitindo) para locais onde a recepção não é
boa, mostraremos adiante. Lembramos que a recepção de um sinal de TV Digital
resulta numa imagem boa ou em nenhuma imagem. Não há meio termo.
O
teste acima foi realizado com antenas outdoor
(externas). Vamos agora testar com antenas internas. Próximo aos pontos
escolhidos entra-se (com a devida autorização) na casa das pessoas e colocam ao
lado da TV uma antena interna e um decodificador. Mede-se a recepção com todos
os presentes na sala parados. Depois liga-se o
Liquidificador e realiza-se medições. Desliga-se o liquidificado e as pessoas
na sala começam a andar em quanto mede-se novamente.
O
liquidificador gera ruídos impulsivos. O estudo de sistemas lineares nos mostra
que um impulso (por exemplo unitário e em t=0) gera
um nível DC em todo o plano transformado. Ou seja prejudica as comunicações em
toda a banda. Além do liquidificador motos com motores de dois tempos e motores
de Fuscas também geram ruídos impulsivos, além de maquinário pesado de
indústrias.

Notamos
que o ATSC já é pior que os demais quando todos estão parados na sala. Ele
piora quando o liquidificador é ligado. Note que o ISDB não piora com o
liquidificador ligado. Provavelmente isso se deve ao time interleaver que proporciona uma
melhor equalização do canal. E com pessoas andando na sala o sistema americano
(ATSC) cai para 9%.
Muitos
testes foram realizados para testar a recepção móvel. O sitema
ATSC não tem nenhum padrão móvel então testou-se o
padrão existente tentando obter-se recepção móvel (se com pessoas andando na
sala as coisas mal funcionam, provavelmente com a antena se movendo também não
deverá funcionar). Já o padrão europeu e japonês tem suas versões específicas
para recepção móvel, naturalmente com Payload (Carga
útil, após a correção de erro) menor já que os dispositivos
móveis tem tela menor.
|
Sistema Configuração |
Payload (Mbps) |
Falhas |
|
ATSC |
19.39 |
Não funcionou |
|
DVB-2k |
4.39 |
1 |
|
DVB-2k |
5.85 |
muitas |
|
DVB-8k |
4.52 |
muitas |
|
ISDB-2k |
11.45 |
0 |
|
ISDB-4k |
11.45 |
0 |
O
ISDB em ambas as configurações testadas funcionou perfeitamente. O DVB 2k com 4.39Mb/s também se mostrou
operacional.
Vamos
agora apresentar os resultados com o citado Gap-Filler,
ou seja uma antena retransmitindo para uma área com má recepção. Abaixo temos o
gráfico de ganho da antena Yagi utilizado, notamos
que é bastante direcional.

O
gráfico abaixo apresenta o resultado dos testes com o Gap-Filler.
Notamos que apenas o sistema americano não teve 100% dos pontos atendidos na
região.

Uma
conclusão dos testes que acabamos de analisar os resultados é que existe uma
superioridade do sistema Japonês sobre o Europeu, mas ambos são operacionais. O
padrão americano se mostrou ruim e inadequado a maioria dos testes.
Os
relatórios da Anatel da onde foram retirados os
resultados acima são públicos. Eles estão abertos para comentários dos grupos
responsáveis pelos sistemas.
O
ATSC enviou entre os seus comentários as preocupações de que a cidade de São
Paulo, aonde foram realizados os testes de campo, não representa a geografia
brasileira e seria uma pequena amostra. Ela lembra ainda que o último chip de
recepção indoor desenvolvido não foi testado. Mas na
verdade após a carta ter sido escrita foram feitos alguns testes de laboratório
com tal chip e não foram notadas grandes diferenças.
O
ISDB lembrou que já desenvolveu novos hardwares mais avançados que obteriam
melhores resultados. O DVB ressaltou os bons resultados obtidos e lembrou que é
o sistema com a adesão de maior número de países.
Em
todos os três modelos temos a possibilidade de enviar informações para o setup-box (decodificador) numa espécie de Internet unidirecional.
Quando estiver assistindo um programa culinário você
pode visualizar a qualquer momento a receita que está sendo feita. Caso não
esteja sendo transmitido um conteúdo de alta resolução pode-se enviar mais de uma imagens na banda disponível, tendo-se mais de uma imagem
por canal.
Implementação do ISDB-T no Japão
Em
1994 iniciou-se o desenvolvimento do padrão. Em 1998 já se tinha um protótipo
do modelo. Com base neste protótipo em 1999 foi instalada na torre de
transmissão de Tóquio uma antena digital para a realização de testes
preliminares. Além de Tóquio mais 9 cidades tiveram testes de campo. Os
resultados foram muito positivos e logo em seguida o padrão foi aprovado.
Daí
iniciou-se o trabalho de desenvolvimento de hardware, como moduladores,
receptores e transmissores para o padrão. O governo japonês achou importante
que os transmissores fossem baratos, então financiou o desenvolvimento destes
para que o custo deles no futuro não atrapalhassem a
implantação do padrão.
Em
novembro de 2002 foram instaladas as antenas digitais definitivas na torre de
Tóquio para que no ano seguinte se iniciassem as transmissões.
Em
janeiro de 2003 foi feito o licenciamento dos canais digitais por todo o Japão.
Algumas regras interessantes precisam ser obedecidas para que uma emissora
receba um canal digital:
Em
outubro de 2003 entrou em operação o sistema de TV Digital no Japão. Em 2006
será desligado o sistema de TV Analógica. Hoje 22 canais estão em operação em
todo o Japão. Tóquio já tem todos os 8 canais aberto em TV
Digital : NHK General, NHK Educacional, Nippon
TV
TV
Asahi, TBS, TV Tokyo, Fuji
TV e Tokyo MX TV.
No
início de 2004 12 milhões de lares japoneses tem TVs ou decodificadores para TV
Digital. E as projeções de venda até 2006 são altas. É um sistema que obteve
grande sucesso no Japão.
Sistema Brasileiro de TV Digital:
SBTVD
A
ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) é responsável pela coordenação
das pesquisas para a definição do SBTVF (Sistema Brasileiro de TV Digital).
Atualmente a ANATEL atribuiu a diversos grupos de pesquisa brasileiros a função
de pesquisar e definir partes do Sistema Brasileiro com tecnologia brasileira,
utilizando uma verba de 50 Milhões de Reais distribuídos pelos centros de
pesquisa. Tal verba vem da FUNTEL, um imposto que taxa todos os serviços de telecomunicações.
A
idéia é criar um sistema totalmente desenvolvido no Brasil. Em março de 2005 os
centros de pesquisa credenciados devem apresentar o resultado de suas
pesquisas. A UFRJ recebeu verbas do FUNTEL para pesquisar na área de TV
Digital.
Em
março/05 será definido um modelo de referência, a
partir do modelo inicia-se a trabalhar no hardware e software. Também deverá
ser elaborado o modelo de negócio para o Sistema Brasileiro assim como os
prazos de implantação deste.
O
modelo japonês levou 6 anos para ser desenvolvido, uniu todas as empresas de
tecnologia interessadas e gastou 500 milhões de dólares. O Brasil pretende
gastar 50 milhões de reais em 2 anos, sem a participação do setor privado para
desenvolver o modelo do seu sistema.
Conclusão
No
passado o rádio era o principal meio de comunicação. Com o advento da TV ele
passou a não ser mais. O dinheiro da publicidade migrou do Rádio para TV. Hoje
em dia empresas de TV a cabo Brasileiras (como a NET) já disponibilizam TV
Digital para os assinantes.
A
maioria dos anúncios na TV Brasileira visa a classe
média, logo o modelo de negócio é voltado para a classe média. Tal classe tem
acesso a DVD e pode ver a superioridade de imagem em relação a
TV Analógica atual (transmissão). Logo se demorarmos a adotar um padrão de TV
Digital a classe média a terá via cabo e a TV Aberta perderá a verba de
publicidade que hoje dispõe. Com isso a qualidade da TV Aberta vai piorar
bastante passando a ser um meio de comunicação de segunda classe.
O
autor deste trabalho acredita que a adoção de um sistema de alta definição de
imagem é fundamental. Substituir a tecnologia por outra digital, gastando
dinheiro, que não tem grandes vantagens me parece idiota. Foi o que aconteceu
na Alemanha aonde adotaram o DVB sem transmissão em alta definição.
O
modelo japonês é muito bem sucedido, com Alta Definição, transmissão para
recepção móvel e os melhores resultados nos testes apresentados. Acredito que
este modelo deve ser adotado no Brasil. Negociações políticas e financeiras deveriam
ser feitas com o Japão (o governo japonês é que detêm o direito sobre o padrão)
a fim de obter-se uma cooperação com eles.
Eles dispões de uma excelente tecnologia, já produzem o hardware em grande escala
(o que barateia o custo). Poderíamos desenvolver o software que seria colocado
em cada receptor, obtendo um grau de nacionalização. Poderíamos exigir que
somente possa ser comercializado decodificadores fabricados
no Brasil, assim as fábricas seriam aqui instaladas para a fabricação de
decodificadores.
A
Argentina adotou o modelo Americano, modelo que pudemos ver ser antigo (embora
isso seja relativo) e de pior desempenho. Além da Argentina a
América do norte (Canadá, EUA e México) também adotaram o modelo
americano. Não devemos cometer o mesmo erro ou um pior.
Fazer
do zero um Sistema de TV Digital é caro. Será ainda mais caro fabricar um
modelo único de decodificador que seria utilizado apenas no Brasil. Devemos
fazer a escolha de nosso modelo baseado em dados técnicos e não em ambições políticas
e nacionalistas. Assim será para o benefício do povo. Não, eu não quero
assistir uma TV Digital que custou muito cara apenas por que ela foi
desenvolvida no Brasil.
5 Perguntas
Temos o padrão Americano (ATSC), Japonês (ISDB) e
Europeu (DVB). O americano apresenta pior modulação de única portadora contra
modulação de múltiplas portadores dos outros dois. Somente o Europeu foi
projetado sem ter como objetivo TV de Alta qualidade. Os padrões Japoneses e
Europeus permitem mobilidade (recepção móvel).
Acredito que o Japonês pois apresenta maior
flexibilidade, melhor desempenho comprovado pelos testes da ABERT/SET
e por ter alta definição. O melhor desempenho dele foi obtido nos testes na
cidade de São Paulo
Esta sendo desenvolvido e um protótipo vai ser
apresentado em março de 2005. Instituições de ensino como a UFRJ, Mackenzie,
entre outras recebem verbas do FUNTEL para as pesquisas. Em março de 2005
teremos o modelo de negócio assim como o protótipo
A possibilidade de se ter TV em alta definição ou múltiplos
conteúdos por canal. Podemos ter informações extras associadas como uma Internet unidirecional.
Haveria um tempo de conversão onde os dois sistemas
coexistiriam, como acontece hoje no Japão e na Alemanha. Para isso o sistema já
deve ter sido escolhido.
Bibliografia:
Empresas , Governos e
Padrões
Conteúdo Web