Transações eletrônicas via Internet
Vimos como protocolos seguros são usados para assegurar a privacidade e integridade das comunicações via web. Porém transações são mais complicadas que simples relações entre cliente e servidor.
O principal objetivo dos protocolos de segura é garantir as transações de negócios; em particular, compras com cartão de crédito. SSL e S-HTTP podem ser usados para assegurar a seção entre comprador e vendedor. Porém, há outras partes envolvidas na transação, como a prestadora do cartão de crédito e o banco do comprador. Aqui vamos considerar esquemas propostos e implementados que se enquadram nesse complicado "mundo real".
De fato, relações eletrônicas comerciantes e instituições financeiras já existem há vários anos. Quando se compra em uma loja convencional com cartão de crédito, isso desencadeia uma série de transações que verificam seu cartão, seu crédito e em seguida debitam a quantia da sua conta. Compras online apenas estendem esse modelo, incluindo o comprador na rede eletrônica e a internet como meio de comunicação.
Atualmente existem inúmeras transações ocorrendo na internet. Algumas delas são associadas a instituições financeiras, como o FSB (First National Online Bank - http://www.sfnb.com). Outros são serviços independentes de validação de cartões de crédito, como o CyberCash. As especificações deste modelo de segurança são exigências das maiores empresas do ramo, como MasterCard e Visa.
6.1 Sistemas de Digital Cash
Cartões de crédito não são o único tipo de pagamento usado na internet. Existe também o digital cash (dinheiro digital). Nesse modelo, o comprador retira dinheiro, na forma de fichas autenticadas, da sua conta corrente on-line. Ele pode então usar essas fichas para comprar produtos e pagar por serviços.

Esta é seqüência dos eventos:
1. o comprador decide retirar algum "dinheiro" do seu banco on-line. O software no seu computador calcula quantas fichas serão necessárias para o pedido e então cria números para representar cada ficha. As fichas são mascaradas (por privacidade) e então enviadas ao banco na forma de um pedido.
2. O banco sinaliza cada ficha usando sua chave privada e as retorna. Ele também debita da conta o valor retirado.
3. O comprador agora possui dinheiro autenticado pelo banco. O próximo passo é ir ao site da loja que desejar e ordenar os produtos. Ele escolhe como forma de pagamento o digital cash e o programa em seu computador envia o número certo de fichas à loja.
4. A loja imediatamente retorna as fichas ao banco, que as valida e credita na conta da loja.
A vantagem desse sistema é que traz privacidade ao comprador: ele revela o mínimo de informações necessárias para a transação. Seu número do cartão não é visto pela loja.
O problema com esse sistema é que o comprador precisa ter conta nesse tipo de banco e precisa retirar dinheiro antes de fazer a compra. Isso desestimula o comprador, o que não é bom para as lojas, pois uma das principais atrações das vendas via internet é a grande facilidade de negociação, que induz a pessoa a compra.
6.2 Especificações da Transação Eletrônica
Estas especificações são resultados de um acordo entre a MasterCard e a Visa para criar um sistema único de cartão de crédito via internet. A seguir abordaremos os principais componentes desta especificação. A documentação completa pode ser encontrada no site: http://www.mastercard.com/set/set.htm
Os principais "personagens" são:
1. O vendedor - qualquer loja virtual ou serviço on-line
2. O obtentor - a empresa que oferece o serviço de cartão de crédito e mantém o dinheiro em movimento. Ex: MasterCard e a Visa
3. A distribuidora - empresa que oferece o cartão ao comprador. Geralmente é um banco.
4. O comprador - é o cliente da distribuidora, que possui o cartão
5. A autoridade de certificação - todo esse processo utiliza criptografia de chave publica, logo cada elemento do sistema precisa de certificação de chave de chave pública.
Estas especificações descrevem um número de transações para compra, autenticação, pagamentos etc.

O diagrama mostra o seguinte:
1. Plnit - inicializa o sistema, incluindo detalhes sobre o cartão. A certificação do cliente liga o número do cartão ao proprietário de uma chave pública. Se o obtentor recebe um pedido de um dado número de cartão ligado a chave pública do cliente, ele sabe que o pedido veio realmente do cliente. Para ser preciso, ele sabe que o pedido veio do computador onde as chaves do cliente estão instaladas. Ainda assim, poderia ser alguém que entrou no computador e burlou a senha.
2. Ordem de compra - este é o verdadeiro pedido do cliente para a compra. A mensagem, na verdade, é dividida em duas, a instrução de pedido, que é destinada a loja, e a instrução de compra, que se destina à operadora do cartão. Esta segunda é encriptada na chave pública da operadora, assim a loja não a lê. Desse modo, a loja não tem acesso ao número do cartão, o que impede um farsante de se passar por vendedor.
3. Autorização - a loja pede à operadora para autorizar o pedido. A mensagem inclui descrição do pedido e o preço. Ela também inclui a instrução enviada pelo cliente, provando à operadora que tanto o cliente quanto a loja concordam com a compra.
4. Pergunta - O cliente pode querer saber o status de seu pedido. As especificações incluem instruções para este caso.
5. Captura - Até esse ponto, não houve troca de dinheiro ainda. O pedido de captura da loja diz para a operadora para transferir a quantia previamente autorizada. de fato, a captura faz parte do item 3, mas há casos em que a loja deseja fazer a captura somente depois de certo tempo.
O esquema de certificação:
A segurança de transações eletrônicas possui centenas de milhares de participantes no mundo todo. Cada um deveria ter pelo menos um certificado de chave pública. Por exemplo, o sistema de pagamento das operadoras precisa de um para assinar mensagens e outro para criptografia.
Quando se trata de larga escala, é necessária uma estrutura para as certificações. A organização proposta pelas autoridades de certificação é mostrada abaixo:

No topo, a raiz da AC deve permanecer off-line. Ela seria acessada somente no caso de novo registro de cartões. No próximo nível, a marca do cartão também é bem segura. Elas são administradas independentemente por cada operadora.
Abaixo, existe alguma flexibilidade, possibilitando diferentes regras, como por exemplo por estado ou país. Na base encontramos as AC que dão certificados para lojas, clientes e operadoras.
O futuro das transações eletrônicas
É evidente que cada vez mais operações financeiras estão sendo efetuadas via internet. Cada vez mais existem pessoas dispostas a burlar as seguranças e fraudar sistemas, mas também existem pessoas do outro lado, que se empenham em fornecer alternativas cada vez mais seguras para transações e movimentação financeira na internet.