3. Protocolos de Roteamento
Os protocolos de roteamento para WSNs são categorizados principalmente de acordo com suas estratégias de organização da rede e de busca de rotas.
3.1. Protocolos de Roteamento Planares
*Exemplo de roteamento planar, onde todos os nós têm funções idênticas.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)
Nesses protocolos, também chamados de flat, todos os nós da rede desempenham o mesmo papel e possuem as mesmas funcionalidades. Os dados são encaminhados de nó em nó até chegarem à estação-base (Sink). A busca pelo caminho mais curto é feita a partir de informações de roteamento que são trocadas entre os nós. Exemplos notáveis incluem SPIN (Sensor Protocols for Information via Negotiation), que utiliza meta-dados para negociação e evitar o problema de inundação (flooding) desnecessário, e Directed Diffusion, que utiliza o conceito de "interesses" (interests) para propagar consultas e estabelecer gradientes de dados [5]..
3.2. Protocolos de Roteamento Hierárquicos (Baseados em Clustering)
Arquitetura de rede WSN baseada em clusters. Nós sensores enviam dados para o Cluster Head (CH), que agrega e roteia para a Estação Base.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)
Comunicação em clusters: Setas tracejadas (nó para CH) e setas sólidas (CH para CH ou para Estação Base) ilustram o fluxo de dados.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)
Esses protocolos, como o LEACH (Low-Energy Adaptive Clustering Hierarchy) [6], [7], dividem a rede em grupos lógicos (clusters). Dentro de cada cluster, um nó é eleito como "Cluster Head" (CH), responsável por:
- Coletar e agregar os dados dos outros nós do cluster.
- Comprimir os dados.
- Enviar os dados agregados para a Estação-Base.
A rotação periódica do papel de CH é vital, pois a comunicação com a Estação-Base é a operação mais cara em termos de energia. Essa abordagem ajuda a economizar energia e a escalar a rede para um grande número de nós, balanceando a carga de energia entre todos os sensores.
3.3. Protocolos de Roteamento por Localização (Geográficos)
Ilustração do roteamento geográfico, mostrando a decisão de encaminhamento baseado na posição do nó vizinho mais próximo do destino (Abordagem Greedy).
(Fonte: Vaqar, Sayyid. SNGF Selected Node Geographic Forwarding Routing Protocol for VANETs.)
Estes protocolos utilizam informações de localização de cada nó (geralmente via GPS ou outros métodos de localização) para determinar o caminho de roteamento. O principal benefício é a redução da sobrecarga de manutenção de tabelas de roteamento complexas. A informação da posição geográfica do nó destino ou da Estação-Base é utilizada para direcionar os pacotes de forma eficiente. O protocolo GPSR (Greedy Perimeter Stateless Routing) é um exemplo popular, que utiliza a abordagem greedy (gulosa) para encaminhar o pacote para o vizinho mais próximo do destino, recorrendo a uma técnica de perímetro quando a abordagem gulosa falha [5].
3.4. Protocolos Baseados em Ant Colony Algorithm (ACA)
O Ant Colony Algorithm é uma meta-heurística inspirada no comportamento de busca por alimento das formigas. Ele é aplicado ao roteamento em WSNs para encontrar caminhos ótimos que considerem múltiplos objetivos, como menor distância e maior vida útil dos nós. "Formigas" virtuais (pacotes de controle) exploram a rede e depositam "feromônios" nas rotas. A concentração de feromônios guia os pacotes de dados subsequentes. Rotas com maior concentração de feromônio (melhores rotas) são mais utilizadas. Este método é adaptativo e robusto para topologias dinâmicas e otimizado para a métrica de energia [1].
3.5. Protocolos Baseados no Algoritmo A-star
O algoritmo A-star (A*) é um algoritmo de busca de caminho informado (ou heurístico) que encontra o caminho de custo mais baixo da origem ao destino [3]. Em WSNs, ele é utilizado para otimizar o processo de descoberta de rotas. O custo de um caminho é calculado pela soma de dois componentes: g(n), o custo real do caminho da origem ao nó n, e h(n), uma heurística (estimativa) do custo do nó n ao destino. Ao invés de usar a distância como métrica, o A-star pode usar uma heurística que prioriza a energia restante do nó, garantindo que o caminho escolhido seja o que menos onera os nós mais fracos da rede, aumentando a resiliência [8].
3.6. Protocolos Baseados em Padrões IETF/IPv6
Arquitetura 6LoWPAN: O roteador de borda conecta a rede 802.15.4 de baixa potência à infraestrutura IPv6 da Internet, utilizando compressão para reduzir o overhead.
(Fonte: https://ernet.in/content/6lowpan)
Embora muitos protocolos de WSN (como LEACH) sejam proprietários ou específicos de pesquisa, a padronização pela IETF introduziu o conceito de 6LoWPAN (IPv6 over Low-Power Wireless Personal Area Networks). Este padrão adapta o IPv6 para as restrições de WSNs, principalmente através da compressão de cabeçalho para reduzir o overhead e maximizar a eficiência energética.
O protocolo de roteamento predominante neste contexto é o RPL (Routing Protocol for Low-Power and Lossy Networks), que é otimizado para a topologia muitos-para-um e utiliza uma métrica de custo baseada na confiabilidade e no consumo de energia, garantindo que bilhões de nós de sensores possam ser endereçados e conectados à Internet.