1. Introdução


O roteamento é o processo essencial de encontrar o caminho ideal, tipicamente o mais curto ou o de menor custo, entre quaisquer dois nós em uma rede. Um protocolo de roteamento define o conjunto de regras e procedimentos pelos quais os dispositivos de rede (roteadores ou nós) trocam informações, constroem tabelas de rotas e determinam a "melhor rota". Essa determinação pode ser baseada em diversas métricas, como a contagem de saltos, atraso, largura de banda ou, crucialmente nas WSNs, o consumo de energia.

Existem classes amplamente estabelecidas de protocolos de roteamento, como os de Vetores de Distância (DV), que utilizam o algoritmo de Bellman-Ford para iterativamente descobrir rotas, e os de Estado do Enlace (LS), que empregam o algoritmo de Dijkstra para construir um mapa completo da topologia da rede antes de calcular o caminho ótimo. No entanto, em Redes de Sensores Sem Fio (WSNs), essas abordagens clássicas precisam ser adaptadas.

Este trabalho tem como objetivo explorar e analisar os conceitos, as características e a aplicação de protocolos de roteamento especificamente desenvolvidos para as Redes de Sensores Sem Fio (WSNs - Wireless Sensor Networks). O foco é garantir uma comunicação eficiente e segura, que considere as severas restrições de recursos desses dispositivos. A padronização da Internet, coordenada por organizações como a IETF (Internet Engineering Task Force) através das RFCs (Request For Comments), oferece uma base, mas as WSNs exigem soluções especializadas devido às suas particularidades.


2. Conceitos Fundamentais


2.1. Arquitetura e Componentes de uma WSN

As WSNs são redes compostas por um grande número de nós de sensores (sensor nodes) distribuídos em um ambiente, que são responsáveis por coletar dados e transmiti-los. Cada nó de sensor é um pequeno dispositivo que integra tipicamente quatro unidades: uma unidade de sensoriamento, uma unidade de processamento (microcontrolador), uma unidade de comunicação (transceptor sem fio) e uma fonte de energia (bateria).

Diagrama de Arquitetura de Rede de Sensores Sem Fio *Arquitetura típica de uma WSN: Nós sensores comunicam-se com a Estação-Base (Sink).
(Fonte: Monolithic Power Systems)

A arquitetura central de uma WSN inclui:

  • Nós Sensores: Milhares de dispositivos que realizam a tarefa principal de sensoriamento e retransmissão de dados.
  • Estação-Base (Sink Node): Um ou mais nós com recursos mais robustos (maior energia, processamento e capacidade de comunicação de longa distância) que funcionam como o ponto de coleta final dos dados da WSN.
  • Gateway: Dispositivo que conecta a Estação-Base a uma rede externa (como a Internet), permitindo o acesso e gerenciamento remoto dos dados.

A topologia de comunicação é predominantemente muitos-para-um (dos nós para a Estação-Base), o que torna o roteamento multi-salto (multi-hop) e a agregação de dados desafios críticos para a longevidade da rede.


2.2. Características e Desafios (Limitações de Recursos)

Os nós de sensores em WSNs operam sob restrições severas de recursos. O consumo de energia é o maior desafio, pois a transmissão de dados é a operação que mais drena a bateria [4]. Os protocolos de roteamento devem ser intrinsecamente aware da energia, buscando caminhos que minimizem a energia total gasta, prolongando a vida útil da rede, em vez de apenas buscar o caminho de menor atraso [5].

Adicionalmente, a memória limitada (RAM e Flash) e a baixa capacidade de processamento exigem que os algoritmos de roteamento sejam leves, com sobrecarga mínima de processamento e armazenamento de tabelas, o que frequentemente inviabiliza o uso direto de protocolos de Internet tradicionais como o OSPF.


2.3. Métricas de Avaliação de Protocolos

A eficiência de um protocolo de roteamento em WSNs é avaliada por métricas que transcendem a simples taxa de transferência (throughput) ou contagem de saltos:

  • Eficiência Energética: Minimizar o consumo de bateria, frequentemente medido pela energia total gasta ou pelo tempo de vida do primeiro nó a falhar (first node death).
  • Latência: O tempo que um pacote leva para ir da origem ao destino, crucial para aplicações de tempo real (e.g., monitoramento de saúde).
  • Confiabilidade (Taxa de Entrega de Pacotes): A porcentagem de pacotes de dados transmitidos que chegam com sucesso ao destino, essencial em ambientes com ruído e interferência.
  • Escalabilidade: A capacidade do protocolo de manter seu desempenho eficiente à medida que o número de nós na rede aumenta, sem um aumento exponencial na sobrecarga de controle.

2.4. Algoritmos de Roteamento Clássicos

Os protocolos de Vetores de Distância (DV), como o RIP, utilizam o algoritmo de Bellman-Ford, trocando vetores de distância com vizinhos para encontrar o caminho mais curto. Já os protocolos de Estado do Enlace (LS), como o OSPF, baseiam-se no algoritmo de Dijkstra, construindo um mapa completo da topologia da rede para calcular a melhor rota. Embora as WSNs raramente usem esses protocolos diretamente, seus princípios algorítmicos são a base para muitas adaptações eficientes em termos de energia.


3. Protocolos de Roteamento


Os protocolos de roteamento para WSNs são categorizados principalmente de acordo com suas estratégias de organização da rede e de busca de rotas.

3.1. Protocolos de Roteamento Planares

Diagrama de Roteamento Planar (Flat) *Exemplo de roteamento planar, onde todos os nós têm funções idênticas.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)

Nesses protocolos, também chamados de flat, todos os nós da rede desempenham o mesmo papel e possuem as mesmas funcionalidades. Os dados são encaminhados de nó em nó até chegarem à estação-base (Sink). A busca pelo caminho mais curto é feita a partir de informações de roteamento que são trocadas entre os nós. Exemplos notáveis incluem SPIN (Sensor Protocols for Information via Negotiation), que utiliza meta-dados para negociação e evitar o problema de inundação (flooding) desnecessário, e Directed Diffusion, que utiliza o conceito de "interesses" (interests) para propagar consultas e estabelecer gradientes de dados [5]..


3.2. Protocolos de Roteamento Hierárquicos (Baseados em Clustering)

Arquitetura de Roteamento Hierárquico - Cluster 1 Arquitetura de rede WSN baseada em clusters. Nós sensores enviam dados para o Cluster Head (CH), que agrega e roteia para a Estação Base.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)

Arquitetura de Roteamento Hierárquico - Cluster 2 Comunicação em clusters: Setas tracejadas (nó para CH) e setas sólidas (CH para CH ou para Estação Base) ilustram o fluxo de dados.
(Fonte: Clustering and Routing Algorithms for Wireless Sensor Networks: Energy Efficiency Approaches, Pratyay Kuila, Prasanta K. Jana, 2018)

Esses protocolos, como o LEACH (Low-Energy Adaptive Clustering Hierarchy) [6], [7], dividem a rede em grupos lógicos (clusters). Dentro de cada cluster, um nó é eleito como "Cluster Head" (CH), responsável por:

  • Coletar e agregar os dados dos outros nós do cluster.
  • Comprimir os dados.
  • Enviar os dados agregados para a Estação-Base.

A rotação periódica do papel de CH é vital, pois a comunicação com a Estação-Base é a operação mais cara em termos de energia. Essa abordagem ajuda a economizar energia e a escalar a rede para um grande número de nós, balanceando a carga de energia entre todos os sensores.


3.3. Protocolos de Roteamento por Localização (Geográficos)

Roteamento Geográfico com Abordagem Greedy e Perímetro Ilustração do roteamento geográfico, mostrando a decisão de encaminhamento baseado na posição do nó vizinho mais próximo do destino (Abordagem Greedy).
(Fonte: Vaqar, Sayyid. SNGF Selected Node Geographic Forwarding Routing Protocol for VANETs.)

Estes protocolos utilizam informações de localização de cada nó (geralmente via GPS ou outros métodos de localização) para determinar o caminho de roteamento. O principal benefício é a redução da sobrecarga de manutenção de tabelas de roteamento complexas. A informação da posição geográfica do nó destino ou da Estação-Base é utilizada para direcionar os pacotes de forma eficiente. O protocolo GPSR (Greedy Perimeter Stateless Routing) é um exemplo popular, que utiliza a abordagem greedy (gulosa) para encaminhar o pacote para o vizinho mais próximo do destino, recorrendo a uma técnica de perímetro quando a abordagem gulosa falha [5].


3.4. Protocolos Baseados em Ant Colony Algorithm (ACA)

O Ant Colony Algorithm é uma meta-heurística inspirada no comportamento de busca por alimento das formigas. Ele é aplicado ao roteamento em WSNs para encontrar caminhos ótimos que considerem múltiplos objetivos, como menor distância e maior vida útil dos nós. "Formigas" virtuais (pacotes de controle) exploram a rede e depositam "feromônios" nas rotas. A concentração de feromônios guia os pacotes de dados subsequentes. Rotas com maior concentração de feromônio (melhores rotas) são mais utilizadas. Este método é adaptativo e robusto para topologias dinâmicas e otimizado para a métrica de energia [1].


3.5. Protocolos Baseados no Algoritmo A-star

O algoritmo A-star (A*) é um algoritmo de busca de caminho informado (ou heurístico) que encontra o caminho de custo mais baixo da origem ao destino [3]. Em WSNs, ele é utilizado para otimizar o processo de descoberta de rotas. O custo de um caminho é calculado pela soma de dois componentes: g(n), o custo real do caminho da origem ao nó n, e h(n), uma heurística (estimativa) do custo do nó n ao destino. Ao invés de usar a distância como métrica, o A-star pode usar uma heurística que prioriza a energia restante do nó, garantindo que o caminho escolhido seja o que menos onera os nós mais fracos da rede, aumentando a resiliência [8].


3.6. Protocolos Baseados em Padrões IETF/IPv6

Arquitetura 6LoWPAN com compressão e roteador de borda Arquitetura 6LoWPAN: O roteador de borda conecta a rede 802.15.4 de baixa potência à infraestrutura IPv6 da Internet, utilizando compressão para reduzir o overhead. (Fonte: https://ernet.in/content/6lowpan)

Embora muitos protocolos de WSN (como LEACH) sejam proprietários ou específicos de pesquisa, a padronização pela IETF introduziu o conceito de 6LoWPAN (IPv6 over Low-Power Wireless Personal Area Networks). Este padrão adapta o IPv6 para as restrições de WSNs, principalmente através da compressão de cabeçalho para reduzir o overhead e maximizar a eficiência energética.

O protocolo de roteamento predominante neste contexto é o RPL (Routing Protocol for Low-Power and Lossy Networks), que é otimizado para a topologia muitos-para-um e utiliza uma métrica de custo baseada na confiabilidade e no consumo de energia, garantindo que bilhões de nós de sensores possam ser endereçados e conectados à Internet.

4. Comparação entre Protocolos


4.1. Critérios de Avaliação e Abordagens

A escolha do protocolo ideal depende do cenário de aplicação e das métricas priorizadas. Os critérios de comparação mais importantes incluem o Consumo de Energia (o principal diferencial das WSNs), a Escalabilidade (capacidade de gerenciar milhares de nós), a Latência (tempo de resposta, essencial para aplicações críticas) e a Robustez (resistência a falhas de nó e mudanças de topologia).

Os protocolos Hierárquicos (Clustering) são superiores em Escalabilidade e Eficiência Energética (por causa da agregação de dados), mas podem ter maior Latência devido aos cluster heads. Os Planares são mais simples e podem ter menor latência para a transmissão inicial, mas sofrem de baixa Eficiência Energética e Escalabilidade em grandes redes devido ao excesso de comunicação.



4.2. Tabela Comparativa (Esquemática)

A tabela a seguir apresenta uma visão comparativa das principais categorias de protocolos, focando nas métricas cruciais de WSNs:

Tabela 1. Comparação de Protocolos de Roteamento para WSNs por Critérios de Desempenho

Tipo de Protocolo Escalabilidade Eficiência Energética Latência Típica Sobrecarga (Overhead)
Planares (Ex: Directed Diffusion) Baixa/Média Média Baixa Alta (Devido ao flood inicial)
Hierárquicos (Ex: LEACH) Alta Alta Média/Alta Baixa (Agregação de dados)
Por Localização (Ex: GPSR) Alta Média Baixa Baixa (Não requer tabelas de rota)
Otimizados (Ex: Ant Colony) Média Alta Média Alta (Devido aos pacotes de controle/formigas)


4.3. Discussão dos Resultados

A tabela demonstra que não existe um protocolo universalmente superior. Protocolos Hierárquicos são a solução de default para redes onde o objetivo é maximizar o tempo de vida (energia), sendo ideais para monitoramento de longo prazo. Protocolos Planares ou Geográficos podem ser preferíveis em cenários com restrições de tempo de resposta (baixa latência). A tendência de pesquisa se move para protocolos otimizados (como $A^*$ ou Ant Colony) que podem adaptar-se dinamicamente a mudanças de energia e topologia, combinando alta eficiência com robustez.

5. Segurança e Desafios Futuros


5.1. Ataques e Vulnerabilidades em Protocolos de Roteamento

Devido ao ambiente sem fio e à natureza descentralizada das WSNs, a camada de roteamento é altamente vulnerável. Ataques à segurança do roteamento comprometem a integridade e a disponibilidade da rede, e devem ser mitigados:

  • Ataque Sinkhole: O invasor atrai o tráfego de dados para si, criando um nó malicioso com uma rota mais curta ou de "melhor qualidade" (falsa). É um dos ataques mais perigosos, pois pode capturar grandes quantidades de dados e paralisar a rede.
  • Ataque Sybil: Um único nó malicioso apresenta múltiplas identidades (endereços) na rede, confundindo os protocolos de roteamento baseados em vizinhança e coordenação.
  • Ataque Wormhole: Dois nós maliciosos, distantes um do outro, criam um túnel (wormhole) de baixa latência entre si, fazendo com que o tráfego de dados seja roteado através deles, ignorando a verdadeira topologia da rede.
  • Selective Forwarding (Encaminhamento Seletivo): O nó malicioso decide quais pacotes de dados encaminhar, descartando seletivamente os pacotes importantes ou sensíveis, o que diminui a confiabilidade da rede sem que os nós vizinhos percebam a falha imediatamente [2].


5.2. Mecanismos de Defesa

A defesa contra esses ataques exige soluções leves, adequadas às limitações dos nós:

  • Criptografia e Autenticação: Uso de chaves simétricas leves (como AES) para garantir a confidencialidade e a integridade dos dados e das mensagens de controle de roteamento. A autenticação mútua entre vizinhos ajuda a mitigar o ataque Sybil.
  • Protocolos de Roteamento Seguros: O desenvolvimento de protocolos inerentemente seguros que incluam verificações de confiança (trust management) e redundância de rotas para isolar nós suspeitos.
  • Detecção de Intrusão (IDS) Distribuída): Implementação de mecanismos nos próprios nós para monitorar o comportamento de seus vizinhos e relatar atividades anormais à Estação-Base, combatendo ataques como o Sinkhole e o Selective Forwarding.

Aplicações


As Redes de Sensores Sem Fio (WSNs) com protocolos de roteamento otimizados têm diversas aplicações práticas. A escolha do protocolo está intrinsecamente ligada aos requisitos de cada cenário, onde diferentes métricas (energia, latência, confiabilidade) são priorizadas.

1. Monitoramento Ambiental e de Desastres

Aplicações em larga escala, como monitoramento de florestas (detecção de incêndios), qualidade da água em bacias hidrográficas ou atividade sísmica, dependem de milhares de nós espalhados por áreas vastas e muitas vezes inacessíveis.

  • Desafio Principal: Longevidade da rede. A substituição manual de baterias é logisticamente impossível ou proibitivamente cara.
  • Implicação para Roteamento: A eficiência energética é a métrica dominante. Protocolos Hierárquicos (baseados em clustering), como o LEACH, são ideais, pois a agregação de dados nos Cluster Heads (CHs) reduz drasticamente o número de transmissões de longa distância para a Estação-Base. A rede deve ser tolerante a falhas, pois nós podem ser perdidos para o ambiente.

2. Agricultura de Precisão (Smart Agriculture)

Sensores monitoram microclimas, umidade do solo, níveis de nutrientes e saúde das plantações em tempo real. Isso permite a aplicação automatizada e otimizada de água e fertilizantes, aumentando a produtividade e a sustentabilidade.

  • Desafio Principal: Custo-benefício e escalabilidade. A rede precisa cobrir grandes fazendas e operar por múltiplas estações de colheita sem manutenção.
  • Implicação para Roteamento: Similar ao monitoramento ambiental, a eficiência energética é vital. Protocolos Hierárquicos são preferidos para escalar a rede e balancear a carga, garantindo que nenhum grupo de nós se esgote prematuramente. A latência geralmente não é crítica.

3. Monitoramento de Saúde (Body Area Networks - BANs)

Redes de sensores corporais (BANs) são usadas para o monitoramento contínuo de sinais vitais de pacientes, tanto em ambiente hospitalar quanto em casa (e-health). Sensores medem ECG, saturação de oxigênio, pressão arterial, etc.

  • Desafio Principal: Confiabilidade e tempo de resposta. A falha na entrega de um pacote de dados de alerta pode ter consequências graves.
  • Implicação para Roteamento: As métricas prioritárias mudam de energia para baixa latência e alta confiabilidade (QoS). O protocolo deve garantir a entrega rápida e ordenada de pacotes críticos. Protocolos Geográficos ou de roteamento com priorização de tráfego podem ser mais adequados do que protocolos focados puramente em energia.

4. Automação Industrial (Industrial IoT - IIoT)

Em "fábricas inteligentes", sensores monitoram a saúde de máquinas (manutenção preditiva), controlam processos de manufatura e otimizam a logística interna. Essas redes são frequentemente chamadas de Redes de Sensores Sem Fio Industriais (IWSNs).

  • Desafio Principal: Confiabilidade, determinismo e interoperabilidade. A comunicação deve ser previsível (baixo jitter) para suportar loops de controle em tempo real.
  • Implicação para Roteamento: Este é um domínio onde a padronização é essencial. O protocolo RPL (Routing Protocol for Low-Power and Lossy Networks), padronizado pelo IETF e construído sobre 6LoWPAN (mencionado na Seção 3.6), é a escolha dominante. Ele é projetado para criar topologias estáveis e confiáveis (DAGs), otimizadas para o fluxo de dados "muitos-para-um" (sensores para o controlador) e "um-para-um" (controlador para um atuador).

5. Vigilância e Rastreamento Tático

WSNs são utilizadas em cenários militares para vigilância de perímetro, detecção de intrusos e rastreamento de alvos. Os nós são frequentemente implantados de forma aleatória (e.g., lançados de aeronaves) e operam em ambientes hostis.

  • Desafio Principal: Segurança, robustez e autoconfiguração. A rede deve operar em um ambiente adversário e se reconfigurar rapidamente se nós forem destruídos ou capturados.
  • Implicação para Roteamento: O protocolo deve ser seguro contra ataques de roteamento (como Sinkhole e Wormhole, discutidos na Seção 5). A robustez (capacidade de encontrar novas rotas) e a baixa latência são cruciais. Protocolos Planares (como Directed Diffusion) ou Geográficos são úteis, pois podem se adaptar dinamicamente à topologia e não dependem de uma infraestrutura fixa de clusters.

6. Conclusão


Em conclusão, os protocolos de roteamento são o alicerce para o sucesso e a viabilidade das Redes de Sensores Sem Fio. As WSNs apresentam desafios únicos e interligados—notavelmente as limitações de energia, memória e o risco de segurança—que tornam a adoção direta de protocolos de redes tradicionais inviável. O desenvolvimento e a escolha de um protocolo devem ser orientados pelas exigências da aplicação: protocolos Hierárquicos (Clustering) para longevidade e escalabilidade; protocolos Geográficos para baixa sobrecarga; e protocolos otimizados por meta-heurísticas (como $A^*$ ou Ant Colony) para adaptabilidade e roteamento inteligente.

O estudo contínuo se concentra em abordagens que integram considerações de segurança e eficiência energética em um único processo de roteamento, garantindo que as WSNs continuem a evoluir e a encontrar novas aplicações em um mundo cada vez mais conectado e dependente de dados sensoriados.

7. Referências


Para o próximo tópico: Perguntas ->

[1] Guo, W., Zhang, W. e Lu, G. (2010). A Comprehensive Routing Protocol in Wireless Sensor Network Based on Ant Colony Algorithm. Disponível em: https://online-journals.org/index.php/i-joe/article/viewFile/7060/4450

[2] Anjali, Shikha e Sharma, M. (2014). Wireless Sensor Networks: Routing Protocols and Security Issues. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/286583194_Wireless_Sensor_Networks_Routing_Protocols_and_Security_Issues

[3] Ghaffari, A. (2014). An Energy Efficient Routing Protocol for Wireless Sensor Networks using A-star Algorithm. Journal of applied research and technology. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/272381340_An Energy Efficient Routing Protocol for Wireless Sensor Networks using A-star Algorithm

[4] Singh, S. K., Singh, M. P. e Singh, D. K. (2010). Routing Protocols in Wireless Sensor Networks A Survey. International Journal of Computer Science & Engineering Survey (IJCSES). Disponível em: https://www.airccse.org/journal/ijcses/papers/1110ijcses06.pdf

[5] Akkaya, K. e Younis, M. (2003). A survey on routing protocols for wireless sensor networks. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/222702366_A_Survey_on_Routing_Protocols_for_Wireless_Sensor_Networks

[6] Singh, S. P. e Sharma, S. C. (2015). A Survey on Cluster Based Routing Protocols in Wireless Sensor Networks. Disponível em: https://www.mdpi.com/1424-8231/15/8/11113

[7] Singh, S. P. e Sharma, S. C. (2014). A Survey on Cluster-based Routing Protocols in Wireless Sensor Networks. Disponível em: https://scialert.net/fulltext/?doi=jas.2014.2011.2022

[8] Diwakar, M. e Kumar, S. (2012). An Energy Efficient Level Based Clustering Routing Protocol For Wireless Sensor Networks. International Journal of Advanced Smart Sensor Network Systems. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/266222843_An_Energy_Efficient_Level_Based_Clustering_Routing_Protocol_For_Wireless_Sensor_Networks_using_A-star_Algorithm

Perguntas e Respostas



1) Quais são as principais limitações dos nós de sensores que os protocolos de roteamento devem considerar?


2) O que diferencia os protocolos de roteamento de Vetores de Distância e de Estado do Enlace?


3) Por que a eficiência energética é uma métrica crucial para o roteamento em WSNs?


4) Explique a diferença entre protocolos de roteamento planares e hierárquicos em WSNs.


5) Qual é o principal desafio de segurança em WSNs e como o ataque Sinkhole o explora?



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