Serviços Móveis por Satélite

Existem algumas situações em que o fornecimento de cobertura por rádio com redes terrestres sem fio do tipo celular é tanto não economicamente viável (tais como em áreas esparsamente povoadas) ou fisicamente impraticável (tais como em grandes corpos de água). Nestes casos, serviços móveis de satélite (MSS) podem preencher a brecha, permitindo completa cobertura global. O espectro para o MSS foi designado pelo ITU-T, e existem vários sistemas em vários estágios de concepção, desenvolvimento e operação. Alguns suportam apenas serviços de dados, enquanto outros também acomodam voz. Alguns são desenvolvidos para propósitos especiais e/ou grupos de usuários, enquanto outros são desenvolvidos para uso geral do público, como por exemplo para interconexão com a rede PSTN.

Uma forma de categorizar os sistemas MSS é de acordo com altitude orbital: satelites geoestacionários (GEOS) a uma altitude de 35786 km; satélites de baixa orbita terrestre (LEOS) em altitudes da ordem de 1000km; satélites de média órbita terrestre, em altitudes da ordem de 10000 km; e satélites de altas orbitas elípticas (HEOS) com em altitudes que variam. Sistemas GEOS para o público incluem INMARSAT-M, MSAT, ACTS, MOBILESAT e NSTAR. Sistemas LEOS incluem o Iridium (66 satélites a aproximadamente 770 km), Globalstar (48 satélites a 1400 km) e Teledesic (840 satélites a 700 km). O Odissey é uma proposta de MEOS com 12 satélites a 10600 km, e a proposta ELMSAT que é uma abordagem HEOS com 2 ou 3 satélites.

A grande vantagem de se utilizar GEOS é que uma cobertura global até 75 de latitude pode ser fornecida apenas com 3 satélites. Entre as desvantagens se encontram o atraso de propagação de 240-270 ms e a alta potência de RF requerida. Embora a abordagem do LEOS diminua a potência de transmissão requerida (tornando aparatos de mão viáveis) e o atraso de propagação, existem outras desvantagens. Devido ao grande número de satélites requerido para fornecer cobertura global, e o seu curto tempo de vida (5 a 10 anos até o decaimento orbital), o lançamento de satélites terá que ser frequente. Ainda mais, o rápido movimento das "células" do LEOS relativo a Terra (em torno de 7.4 km/s para o Iridium) requer handoffs frequentes.

Portanto, no desenvolvimento de sistemas de satélites, a operação da rede e o custo de manutenção devem ser balanceados contra o mercado que poderá surgir para os serviços oferecidos. No entanto, apesar dos problemas técnicos e econômicos, os MSS devem se tornar um importante componente da rede global sem fio.

O sistema Iridium

Em 1990, a Motorola pediu permissão ao FCC para lançar 77 satélites de baixa órbita para o projeto Iridium (com a revisão, passaram a ser 66 satélites). Os satélites do sistema LEOS Iridium estão posicionados a uma altura de 750 km em órbitas polares circulares. Estes ficariam arranjados em cordões norte-sul, com um satélite a cada 32 graus de latitude. Com seis cordões de satélites, a Terra inteira estaria coberta.

Cada satélite satélite teria no máximo 48 spot beams (antenas diretivas), com um total de 1628 células sobre toda a superfície da Terra. As frequências poderiam ser utilizadas duas células distantes, como em celular por rádio convencional. Cada célula teria 174 canais full-duplex para um total de 283272 canais por todo o mundo. Alguns destes seriam para paginação e navegação.

Os enlaces de subida e descida operariam na faixa de 1.6 GHz, tornando possível a comunicação com aparelhos portáteis. Mensagens recebidas por um satélite, mas destinadas a um remoto seriam repassados entre os satélites na banda Ka. Banda suficiente está disponível no espaço para comunicação entre os satélites. O fator limitante seria os segmentos de subida e descida. A Motorola estima que 200MHz de banda será suficiente para todo o sistema.

Entretanto, o maior competidor do Iridium são os sistemas PCS/PCN com seus Telepontos.


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